terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O ser humano não foi criado para a perdição - Devocional de Sandro Sampaio

Ainda de férias do blog, transcrevo o devocional referente ao dia 27/02 no "Meditações para o dia a dia", da editora Vozes. O autor é Sandro B. Sampaio, de tradição presbiteriana.


"Vinde, abençoados por meu Pai! Tomai posse do reino preparado para vós desde a criação do mundo" (Mt 25,34)

O Reino de Deus já está preparado para todos aqueles que creram em Jesus e assumiram o projeto de Deus para o mundo, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

A estes o juízo final não é algo aterrador, pavoroso, cinematográfico, é a conclusão natural de tudo o que o Criador preparou para o bem da raça humana.

Mas, isto não significa que toda a raça humana estará enquadrada na categoria de "abençoados por meu Pai". Lamentavelmente, há também outra categoria, a de "malditos" (Mt 25,41), que são aqueles que rejeitaram o amor a Deus e ao próximo, e escolheram rejeitar o projeto de Cristo para si mesmos.

Apesar destas palavras duras, uma realidade chama a atenção em Mt 25: quando Jesus fala dos salvos, Ele declara que o Céu ou o Reino de Deus estava preparado para estes seres humanos "desde a criação do mundo"; já quando fala dos perdidos diz que o inferno não foi, originalmente, preparado para os seres humanos, mas foi "preparado para o diabo e seus anjos".

Isto é muito consolador; mesmo em meio a palavras tão duras e definitivas, vemos que Deus preparou para todos os seres humanos a bem-aventurança. Ele não preparou, portanto, a perdição para nenhum de nós. Isto quer dizer que todos podemos ser salvos, basta aderirmos a Cristo e seu projeto. A perdição só é o destino daquela pessoa que, livre e definitivamente, rejeitar a Deus e a Cristo.

Com isto em mente, abracemos a Cristo e sua proposta e levemos esta mensagem de esperança ao maior número possível de pessoas: Verdadeiramente Deus ama a todos!

Obrigado, meu Deus, por teu grande amor, mesmo que eu não o mereça, quero dele me apropriar. Por Cristo, amém!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Jet ski desgovernado e um Brasil que não tem mais jeito

Nestes dias, soubemos da triste notícia de uma menina de três anos assassinada por um Jet Ski desgovernado. Assim descrita, a coisa parece estranha. Como um Jet Ski, que é uma coisa impessoal e, por conseguinte, carente de vontade própria, poderia assassinar alguém? Sim, a minha frase é paradoxal. Mas, com ela, quero observar que é mesmo paradoxal o modo como grande parte da imprensa brasileira costuma divulgar os "acidentes" que pululam por este país. "O carro ficou desgovernado" (Carro rebelde!). "Ele perdeu o controle da direção" (como se a "direção", a partir de então, fosse dada ao acaso, e tudo que tiver acontecido a partir daí é culpa do mesmo acaso.). "O caminhão perdeu os freios!" (Quem ajuda o caminhão a procurá-lo?). "Ele passou mal ao volante!" (Porque não tomou o remédio que sabia que tinha que tomar! Ou porque alguém a serviço do Detran foi descuidado ao conceder-lhe a renovação da carteira.) E por aí vai.

"Acidentes não acontecem", como disse um médico cansado de atender casos de trauma, "eles são causados". Totalmente verdadeira a afirmação. Acidentes são causados por pessoas que descumprem regras de operação, de segurança, de manutenção etc. E como, no Brasil, nós não somos dados à observação estrita de regras e procedimentos, os acidentes são causados abundantemente todos os dias. E isso continua a acontecer por um motivo simples. Na segunda feira de carnaval, pude escutar minha vizinha dizendo ao filho pequeno: "Hoje você vai ter que sentar na cadeirinha, porque tem polícia!" Lindo! O filho entende assim: "Filho, hoje, nós vamos cumprir a regra porque existe a possibilidade de sermos punidos, viu? Não vamos poder fazer como nos outros dias". A escola do desrespeito às regras começa cedo para os brasileirinhos.

Aliás, para os brasileirinhos que têm o direito de viver, pois outros tantos são assassinados por pessoas que, inocentemente, descumprem regras aparentemente bobas, por pessoas como certos pais que acham normal dar um Jet Ski a um garoto de 14 anos. "Afinal, o governo não percebe que é só um brinquedo?"

Não concordar com uma ou outra lei não é errado. O errado é o hábito de descumpri-las, em vez de lutar para que sejam mudadas. Se acham que o filhinho deveria usar o Jet Ski, deveriam manifestar-se a favor da mudança da lei e não ensinar o adolescente a ser mais um desrespeitoso.

Mas a maioria das pessoas fazem o mesmo que esses pais irresponsáveis. Escolhem leis para cumprir e outras para não cumprir. O sujeito acha absurdo se alguém estaciona na entrada de sua garagem. Briga! Exige seu direito! Esbraveja que é falta de respeito! Mas, logo que consegue sair de casa, não respeita a primeira faixa de pedestre que encontra. Cada um se julga no direito de fazer isso ou coisas semelhantes. E a bagunça se generaliza! Quer ver um exemplo vivo disso? Venha ver o trânsito de Belo Horizonte!  (Aliás, tem regras que os brasileiros fazem ser seguidas estritamente: aquelas famigeradas regras evocadas em processos judiciais que amenizam, anulam ou protelam as punições merecidas pelo descumprimento de outras regras!)

E a consequência é grave. Não só o Jet Ski, mas também o Brasil está desgovernado. E não é por culpa do governo, simplesmente. O problema é mais geral, é da população. Como governar um navio cujo timão não muda com precisão o rumo tomado?

A nau está quebrada. Um dia, afunda.

Salve-se quem puder! E nem digo "mulheres e crianças primeiro", pois ninguém respeitaria.

Abraço,

Cesar

P.S. Ainda de férias do blog, mas não resisti a escrever isso.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Bolo Liderança - Texto de Alberto Couto Filho

Ainda de férias do blog, aproveito para postar este precioso texto do amigo Alberto. Aproveitem!

 

BOLO LIDERANÇA

Com Sinergia Servidora

No preparo do Bolo Liderança você tem uma excelente oportunidade de empregar o seu talento criativo e de receber os mais sinceros elogios pelo muito de saboroso, salutar e fortificante que a sua ingestão educacional oferece.
O Bolo Liderança será servido não apenas em reuniões do tipo “café da manhã”, ou como quiserem seus apreciadores, “at break-fast”, mas também a qualquer instante como sobremesa indutiva de grande efeito espiritual/profissional, para influenciar agradavelmente tanto a neófitos empolgados, (recém-convertidos ou consagrados e recém-contratados ou promovidos) e a pessoas frustradas (discípulos desanimados e aprendizes decepcionados), quanto a pessoas indecisas (cristãos relutantes e profissionais inseguros) ou mesmo a pessoas de desempenho superior (cristãos vitoriosos e profissionais auto-confiantes), durante refeições comemorativas do sucesso obtido, mediante relacionamento eficaz entre líderes e liderados.
A bem da verdade o Bolo Liderança estará sempre sendo servido por todo o tempo em que ocorrerem interações entre as pessoas, num clima de cordialidade, respeito e amor, onde estará prevalecendo a autoridade legítima, nas relações de interdependência (distribuição equilibrada de poder e influência – relações de igualdade – equipes sinérgicas- o empoderamento).
O Bolo Liderança difere do Bolo Gerência quanto aos resultados obtidos pela sua aceitação. O que ocasiona tal diferença são os ingredientes principais usados em seu preparo. Enquanto o Bolo Gerência tem como principal ingrediente o Poder, gerador de irrestrita OBEDIENCIA, o Bolo Liderança, cujo ingrediente principal é o AMOR, acrescenta à OBEDIÊNCIA uma grande dose de MOTIVAÇÃO. Enquanto aquele consegue que as pessoas façam, este consegue que as pessoas desejem fazer.
Ingredientes:

Conhecimentos técnicos

QI

Inteligência Emocional

Prática de Delegação

Flexibilidade

Amor com motivação
Sinergia em suas quatro fases:

A – Interação

B – Entendimento Apreciativo

C – Integração

D – Implantação

Como preparar:
Pré-aqueça o forno da humildade a uma temperatura aceitável e unte uma fôrma (de conformidade com os objetivos traçados) de bolo com o QI, que envolva não só a capacidade intelectual, mas também os aspectos cognitivos, como: compreensão do todo, visão de longo prazo e bastante de domínio do contexto do segmento em que você atua;
O mesmo QI será batido com a Inteligência Emocional, ingrediente visto como a necessária capacidade de ombrear (trabalhar/comungar) com outras pessoas e conduzir quaisquer processos de mudança ou de transformação de vidas. É o momento de adicionar pitadas da prática de delegação;
Coloque agora o Conhecimento Técnico sobre a tarefa, misturado à Flexibilidade na escolha do estilo adequado ao nível de desenvolvimento (maturidade) das pessoas apreciadoras do Bolo Liderança e peneire sobre a mistura anterior. Adicione agora uma dose generosa de Motivação com muito Amor e misture tudo de forma tolerante, generosa e paciente;

Adicione o que resta do Conhecimento Técnico sobre relacionamentos a um pouco mais de Motivação (Não esqueça do Amor). Sacuda a organização, busque o comprometimento, fazendo com que todos admitam que a mistura produzida é o prenúncio de algo palatável, rumo à consecução dos objetivos; à Visão de Deus; rumo a eficácia e ao sucesso.
Transfira a mistura para a fôrma (conformidade com as metas) e leve ao forno da humildade. Em pouco tempo, a coesão e a unidade já poderão ser observadas;
Espalhe agora, sobre o Bolo, a Sinergia Servidora.
Primeiro a Interação – Defina com clareza as metas e assuma interdependência em relação ao sucesso; Comunique efetivamente entre si, com baixa distorção; Ouça ativamente (para compreender e não para avaliar) não só os fatos, mas também as percepções expressas na comunicação; Comunique de forma a gerar confiança e credibilidade recíprocas.
Agora o Entendimento Apreciativo– Crie um clima aberto, onde as diferenças possam emergir apropriadamente; Não precipite quaisquer pré-julgamentos negativos acerca de idéias, crenças, percepções, atitudes ou preocupações de outros; Crie ambiente de empatia mútua; Valorize a diversidade e saiba identificar características positivas nos pontos de vista de cada um;
É hora e vez da Integração –Saiba tolerar ambigüidades; Para apoiar o seu grupo, modifique seus próprios pontos de vista, comportamentos, etc; Procure gerar meios criativos de fundir diversas perspectivas em uma alternativa nova e mutuamente apoiada; Identifique mensagens e conceitos que não devem ser integrados.

E finalmente a Implantação, pois a receita do nosso bolo atende à principal missão da Liderança: Agenciar Mudanças; Transformar Vidas – Estabeleça planos específicos e mensuráveis de metas, objetivos e ações; Monitore o progresso da implantação e supra o necessário reforço para assegurar seu êxito; Implante a mudança a uma velocidade que satisfaça as necessidades legítimas de todas as partes envolvidas; Modifique, se necessário, o plano de implantação para assegurar sua relevância para as realidades correntes.
O Bolo Liderança está pronto; Estamos em festa; Comemoremos; Deleitem-se; Sirvamo-lo.
Alberto Couto Filho

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nepotismo Eclesiástico - por pr. Luiz Fernando Ramos de Souza

Continuando meu período de férias do blog, apresento esse texto de um antigo pastor meu. Aliás, o primeiro de dois que escolhi na vida. Felizmente, tanto quanto o atual, é pessoa que não ignora a importância do conhecimento. Decerto, dele discordei muitas vezes (muitas, talvez, por imaturidade), e muitas mais agora, que já não sou batista há anos. Ainda assim, guardo lições importantes que aprendi com ele e, lendo o blog que ele escreve, lembro e noto que ainda tenho um pouco do pensamento dele permeando o meu no que se refere a alguns assuntos. Neste texto que apresento, ele trata de um problema que é até caricaturizado na experiência de igrejas gigantes como a Lagoa no Diminutivo, mas que também ocorre em outros cantos por aí. Deus nos livre. E você leia o texto!

Minha foto
este é ele (foto furtada do blog: www.ministerioforcaparaviver.blogspot.com)


Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. Originalmente a palavra aplicava-se exclusivamente ao âmbito das relações do papa com seus parentes, mas atualmente é utilizado como sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Distingue-se do favoritismo simples, que não implica relações familiares com o favorecido. Prática tão nefasta no serviço público que vem ganhando contornos de espiritualidade no meio cristão. Observo cada vez mais pastores praticando o nepotismo descaradamente. Fazem do ministério um meio de empregar seus filhos e parentes mais próximos. Vejo que o ministério pastoral virou um meio não um ideal de vida. Para tentar ter domínio sobre uma igreja consagra-se grande número de parentes e sem o menor constrangimento. Filhos de pastores que nunca souberam o que é trabalhar por uma hora sequer são consagrados a pastores para suceder seus pais quando estes deixarem o ministério. Muitas vezes filhos de pastores que possuem um passado conturbado, profano que precisa ser escondido de qualquer maneira, assumem púlpitos com ares de santidade e vasto conhecimento. Assumem igrejas de portes razoáveis e dizem que Deus os chamou para o ministério. Irmãos, sobrinhos, genros e o que mais aparecer assumem a liderança da obra de Deus sem ao menos terem sido provados pela vida, igreja e por Deus. Se as igrejas fossem consultadas sobre tais consagrações nunca teriam aprovado tais atos. Muitos consagram seus filhos e parentes ao ministério pastoral como se fosse um negócio que passasse de pai para filho. Tratam a sucessão pastoral como se fosse coisa hereditária. Isso não é dinastia onde os sucessores pertencem à mesma família. Tenho visto pastores chegando ao fim de suas vidas como Eli chegou ao fim da sua. Filhos que levam o povo de Deus ao erro e ao escândalo são alçados às lideranças e os pais com medo de submeterem a Deus a sucessão pastoral, usam do poder que lhes foi conferido para calar a voz da comunidade e da Bíblia. Sujeitam o povo de Deus a lideranças descaracterizadas e rudes e se esquecem que o Senhor é o Sumo Pastor. Não sou contra filho de pastor receber chamado ministerial. Sou contra essa tendência pernóstica que infiltrou no seio da igreja. Tal filho tendo um chamado ministerial que curse uma universidade, depois faça um mestrado e em seguida uma boa faculdade teológica. Que preencha os requisitos de I Timóteo e Tito, que não seja neófito, quem goze de bom testemunho dos de fora e a igreja local, em sua maioria, reconheça tal chamado. Anos atrás encontrei um pastor que havia cursado comigo o mesmo seminário. Ele me disse que havia insistido com seu filho para estudar e trabalhar, mas que o rapaz se recusava. Como última alternativa ele disse para o rapaz: “então vá ser pastor”. Logo em seguida me perguntou o que eu achava disso. Eu lhe respondi do jeito que a coisa veio: “Seu filho é tão desqualificado quanto você. Tal pai tal filho”. Virou mania no meio evangélico pastores dizer que existe uma unção especial sobre filhos de pastor. Outro dia, em uma reunião da ordem de pastores que freqüento, um pastor disse que Deus lhe havia dado uma revelação que todo filho de pastor era pastor. Nunca ouvi tal atrocidade como aquela. Revelações esdrúxulas e carnais como estas somente atrapalham o meio cristão. Tais revelações passam por cima da Revelação da Palavra. Filho de pastor que não for alcançado pela graça de Deus perecerá como perece o ímpio. Alguém já disse no passado: “Deus não tem netos, somente filhos”. Mas que o Senhor se apiede de nós pastores e nos dê a graça de conduzir nossos filhos ao pleno conhecimento de Cristo. Que a igreja possa se submeter ao soberano Senhor e aceitar suas decisões. Que nós pastores sejamos mais fieis no trato das coisas de Deus. Em Cristo que não faz acepção de pessoas.

Soli Deo Glória

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Peixe à moda do Nazareno

Por acúmulo de tarefas e necessidade de concluir uma empreitada para poder dar início a outra, tirei férias do blog. Depois de 10 meses de produção e oferta de 'comida caseira', permanecerei aproximadamente dois meses postando textos de outras pessoas ou repostanto textos antigos.

 
Um peixe, no zoológico de Buenos Aires

Alguns detalhes da vida de Jesus costumam passar despercebidos, sobretudo suas ações mais simples, comuns, meramente humanas. Muitos se esquecem que, durante muitos anos, ele viveu como um simples carpinteiro, que se envolvia no cotidiano de sua pequena cidade. Uma atitude tão singela e, ao mesmo tempo, tão altruísta como a que ele tomou às margens do Tiberíades depois de ressuscitado, então, não será frequentemente mencionada em sermões dominicais. Mas o que foi que ele fez? Ele cozinhou para os discípulos. Isso mesmo! Não precisa fazer cara de espanto. Veja só:

"Disse Pedro a eles: 'Vou pescar!' E disseram a ele: 'Nós também vamos com você.' Foram e subiram no barco e, naquela noite, não pegaram nada. E quando era já de manhãzinha, Jesus se colocou na praia. Contudo, os discípulos não sabiam que era Jesus.
...
Então, quando desembarcaram em terra, viram um braseiro armado, peixe colocado sobre ele, e pão. Jesus disse a eles: 'Tragam dos peixes que vocês pescaram agora.'
...
Jesus disse a eles: 'Venham! Comam!'"
João 21:3-4;9-10;12

Não sei que receita o Mestre seguiu, mas imagino que o peixe assado tenha ficado muito saboroso. Além do mais, deve ter sido bem oportuno para os que chegaram à praia e encontraram comida pronta. Simples demais para o Salvador que há pouco havia morrido pela humanidade... É verdade. Mas ele se fez pequeno para servir, lembra? E com essa simplicidade ele mostra uma maneira de amar por ação, por um gesto, e não somente por palavras.

Convido você a fazer algo semelhante ao que Jesus fez! Um churrasco de peixe? Não necessariamente. Tentei uma vez, mas ficou ressecado. Acho que faltou embrulhar com papel alumínio ou folha de bananeira. Façamos o seguinte: vamos considerar que o Peixe à moda do Nazareno pode ser qualquer prato (com peixe, se possível) preparado com intenção semelhante. Então, primeiramente, escolha os discípulos dele que você vai surpreender. Pode ser sua esposa, seu marido, filhos, amigos da igreja, do trabalho etc... Depois, escolha uma receita prática que tenha peixe. Vou sugerir a mais simples das receitas, para ser acessível até aos mais inexperientes nas coisas da cozinha. Anote aí:

Tagliarini com molho de Atum à moda do Saboroso Saber

1 Lata de Atum Sólido ao natural
1 Cebola pequena
1 Lata de extrato de tomate (se for experiente, substitua parte dessa lata por tomates italianos maduros sem pele e sementes)
10 Azeitonas (Azapa) picadas
1 tantinho generoso de parmesão ralado (Não compre os pacotinhos, pois não são queijo puro. Compre um pedaço e rale na mão mesmo. Se for muito inexperiente ou preguiçoso, procure os potinhos com parmesão recentemente ralado nos bons supermercados)
Azeite Extra-Virgem
Molho de pimenta
8 folhas de manjericão fresco
Orégano seco
250 gramas de Tagliarini (massa tipo caseira, por favor!)

Cozinhe a massa com o tempo ensinado pelo fabricante na embalagem (as pessoas costumam cozinhar demais).
Enquanto isso, refogue rapidamente a cebola picada no azeite (se for usar tomate, acrescente-o em seguida e espere até começar a se desmanchar, mexendo devagar). Logo, coloque toda a lata de atum. Mexa um pouco. Pegue duas ou três colheres da água que está fervendo com o macarrão e ponha no molho. Mexa mais. Acescente as azeitonas e o extrato de tomate. Mexa enquanto volta a ferver. Acrescente o manjericão fresco. Desligue o fogo e tampe. Coloque a massa no prato (isso mesmo, você vai servir o/a convidado/a) e acrescente o molho por cima, sem mexer tudo. Despeje um tantinho do parmesão. Acrescente uma pitada de orégano seco esfregando-o com as pontas dos dedos (para ativar o aroma). Regue com um fio do azeite! Pronto! Se quiser sirva junto uma salada de folhas (sugiro rúcula ou agrião, por terem sabor mais marcante).

Faça algo como Jesus: Prepare essa massa, convide alguém, compartilhe! Depois, me conte como foi!

Um abraço!
C.

P.S.: Essa receita de macarrão é de minha autoria e tem o objetivo de ser prática ao extremo. Se você quiser mesmo investir mais tempo em um peixe assado, aqui vai uma receita interessante: Salmão na Brasa (Cozinha Travessa). Já fiz bem parecido no forno e ficou muito gostoso!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A igreja deve cumprir as leis da nação em que está? - Resposta de Lutero

O que segue é um trecho de um sermão de Martinho Lutero a respeito de Mateus 22:15-22. Está em inglês, pois assim o achei, e falta-me tempo para traduzir.


Thus one must also bear the authority of the ruler. If he abuses it, I am not therefore to bear him a grudge, nor take revenge of and punish him with my hands. One must obey him solely for God's sake, for he stands in God's stead. Let them impose taxes as intolerable as they may: one must obey them and, suffer everything patiently, for God's sake. Whether they do right or not, that will be taken care of in due time. If therefore your possessions, aye, your life and whatsoever you have, be taken from you by those in power, then you are to say: I give it to you willingly, I acknowledge you as my masters, gladly will I be obedient to you. Whether you use the power given to you by God well or ill, that is your affair.
But what if they would take the Gospel from us or forbid us to preach it? Then you are to say: The Gospel and Word of God. I will not give up to you. This is not within your power, for your rule is a temporal rule, over worldly matters; but the Gospel is a spiritual, heavenly treasure, and therefore your authority does not extend over the Gospel and God's Word. We recognize the emperor as a master of temporal affairs, not of God's Word; this we shall not suffer to be torn from us, for it is the power of God, Rom. 1, 16, against which not even the gates of hell shall prevail.
Therefore, the Lord beautifully summarizes these two things, and in one saying distinguishes them from each other: "Render unto Caesar the things that are Caesar's, and unto God the things that are God's."

Martinho Lutero

Contradições - Quando achamos que uma coisa é uma coisa, mas é outra coisa

Li com atraso a reportagem que posto abaixo. Fala de uma denúncia que revelou que a McDonald's usa carne ruim, tatada com amônia, nos hamburgers que serve. A imagem foi inevitável: um monte de pais achando que fazem vantagem ao fornecerem dinheiro aos filhos adolescentes que se orgunlham de dizer: "Meu pai me dá dinheiro para comer lá. Eu amo McDonald's!". E esses privilegiados se enchem de porcaria, enquanto os pobres comem coisa melhor em suas casas, tristes por não terem acesso à famosa lanchonete.

E se metaforicamente também acontecer algo assim? E se nos orgulharmos do que é ruim? E se formos achados tão babacas quanto esses pais da imaginação que descrevi? E se...? O certo é que o caminho é ter calma para voltar e olhar, voltar e ler o que dá direção. Difícil? Sim, da simplicidade do movimento de Jesus, construímos redes complexas que são por demais trabalhosas. As negociações de ideias se fazem duras, árduas. E a simplicidade parece já não ser opção. Criamos tantas necessidades que eram estranhas para a sábia mente de Cristo. Ele só precisava de sua voz e de um lugar para se assentar e falar. E alí, entre pedras secas e poeira, se instituia a Aula, o momento em que a palavra produzia seu efeito, saindo da divindade e chegando às criaturas. E nós nos prendemos às novas dificuldades. Estamos sem saída? Será? Sei lá.

Aí a reportagem:


McDonald's usa amônia para fazer hambúrguer com sobra de carne


A rede de fast food McDonald's foi alvo da denúncia de que estaria utilizando hidróxido de amônia para converter sobras de carne em um enchimento para os hambúrgueres. A informação é do jornal britânico "Daily Mail".

A polêmica ganhou as manchetes dos pricipais jornais americanos depois que o chef Jamie Oliver veio a público denunciar a prática. "Basicamente, nós estamos levando um produto que seria vendido na forma mais barata para cães. Após este processo, podemos dar aos seres humanos", disse o chef durante seu programa de televisão "Jamie Oliver’s Food Revolution".


Segundo o jornal britânico, o microbiologista do Departamento Americano de Agricultura, Geral Zirnstein, concordou com o chef Jamie Oliver de que o hidróxido de amônia deve ser banido do processamento das carnes do McDonald's. Após a denúncia, a rede anunciou que vai alterar a receita do hambúrguer no país, mas não admitiu que a medida tenha sido tomada em função das denúncias.


Após a decisão do McDonald's, o chef de cozinha comemorou. "Por que qualquer ser humano sensato  colocaria amônia na boca de seus filhos? O público americano precisa urgentemente entender o que sua indústria de alimentos está fazendo", disse Jamie Oliver.


Segundo o diretor do Sistema da Qualidade do McDonald's nos Estados Unidos, Todd Bacon, a empresa cumpre todos os requisitos de segurança alimentar. "No McDonald's, a segurança de alimentos tem sido e continuará a ser uma prioridade", garantiu.


De acordo com o "Daily Mail", o processamento da carne de hambúrguer nos Estados Unidos é realizado pela empresa Beef Products Inc (BIP) e ninguém foi encontrado para comentar o assunto.

Vi aqui: http://www.hojeemdia.com.br/noticias/mcdonald-s-usa-amonia-para-fazer-hamburguer-com-sobra-de-carne-1.398614


P.S. Credo! Tô escrevendo igual um bêbado. Parece nem fazer sentido. Mas faz, cá na cuca faz. Desculpem-me por deixar às claras pensamentos que ainda estão em fase gestacional. Ah, e nem tem foto pra entreter, que não tive tempo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

César - de Jorge Luis Borges


Fui procurar descanso pra mente em uma área verde de Belo Horizonte. Sim, ainda há dessas coisas por aqui. E haverá, se este prefeito-empresário não destroçar o que resta com sua mente negociante. Pois bem, buscando descanso do estresse e dos tormentos da mente, sentei-me à beira do lago e folheei um livro bonitinho, chamado Atlas (e eu devo ser o primeiro a ousar descrever um livro do Borges como "bonitinho"). Pois bem (de novo), buscando descanso do estresse, dos tormentos e das inquietudes da mente, achei lá o corpo, pois, na página 11, me deparei com a profecia das coisas passadas, a visão do não-visto, pelas palavras do poeta porteño. Decidi transcrever aqui o poema. Está aí abaixo, ocupando o espaço para que eu não o utilize de modo errado (afinal, a mente ainda não descansou completamente, e eu teria baita vontade de usar expressões nada púdicas como "seus bundões!" no texto que eu de mim mesmo, pecador e falível, escreveria). Calo-me, pois.


César


Aquí, lo que dejaraon los puñales
Aquí esa pobre cosa, un hombre muerto
que se llamaba César: Le han abierto
cráteres en la carne los metales.
Aquí la atroz, aquí la detenida
máquina usada ayer para la gloria,
para escribir y ejecutar la historia
y para el goce pleno de la vida.
Aquí también el otro, aquel prudente
emperador que declinó laureles,
que comandó batallas y bajeles
y fue honor y fue envidia de la gente.
Aquí también el otro, el venidero
cuya gran sombra será el orbe entero.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A pergunta que Jesus não respondeu

O texto é Lucas 10:25-37.
A pergunta: "Quem é o meu próximo?".
A intenção de quem pergunta é "justificar-se a si mesmo". Como essa pergunta o justifica? Lembremos que ele acaba de citar "... e o próximo como a ti mesmo". E Jesus afirma que o que ele diz é correto, mas cutuca: "Faz isso e viverás!". Será que o interlocutor de Jesus reconhece, pelo imperativo usado por Jesus, sua deficiência prática, que ele tenta ocultar por sua excelência teórica? Será que por isso ele faz uma pergunta que talvez levaria a uma restrição de "próximo" - uma jogada teórica que camuflaria sua deficiência prática?
A resposta de Jesus vem com uma narrativa, a do bom samaritano, seguida de uma pergunta: "Quem dentre estes três parece ter sido próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?"
O interlocutor escolhe certo: o samaritano - "o qual agiu com misericórdia para com ele".
A resposta de Jesus é: "Vai e tu também faz de modo semelhante!" Ou seja, Jesus não responde, com a narrativa, a pergunta que o homem lhe havia feito. A história não dá a receita para identificar o "seu próximo", mas para "fazer-se próximo de" alguém.
O sujeito fugia para a reflexão e Jesus o trazia de volta para a prática. Ele queria averiguar pessoas e categorizá-las, mas Jesus queria que ele confrontasse seu próprio comportamento.
Será que o cristianismo não deveria ser, muito mais que uma religião de definições meticulosas de padrões e comportamentos (uma embevecida e eterna discussão halakhica entre gentios!), e sim uma resposta definitiva e intensa, prática e cotidiana, ao mandamento maior, permeada pelo anúncio do maior gesto de amor de todos os tempos, o sacrifício de Cristo para perdão dos pecados?
"Amarás a Deus sobre todas as coisas. E ao próximo como a ti mesmo!"
Abraço,
Cesar