terça-feira, 20 de março de 2012

O atropelamento vocabular do Jornal do SBT (e semelhante erro de muitos de nós)


Ontem, o Jornal do SBT (19/03/2012) apresentou, como todos os demais, uma reportagem sobre o atropelamento fatal de um ciclista em uma rodovia. O condutor, como todos sabem, era o filho do brasileiro mais rico na atualidade. Em dado momento, a reportagem mostrava uma testemunha ocular, um habitante que também transitava pela estrada. Ele disse que viu quando o ciclista, que estava trafegando em linha reta pela direita da estrada, foi atropelado pelo carro do jovem que vinha em alta velocidade fazendo uma ultrapassagem. Essa era a versão da testemunha que, coincidentemente, coincidia com a de outra testemunha mostrada no Jornal da Band. Contudo, logo a voz da jornalista disse: "Mais tarde, Eike Batista DESMENTIU essa versão e afirmou que o ciclista estava cruzando a estrada e que ele sim havia agido com irresponsabilidade." Ora, o senhor ou a senhora jornalista afirmou que a testemunha que se dispôs a conceder mais cedo aquela entrevista MENTIU. Não se pode DESMENTIR o que não é mentira. DESMENTIR não é simplesmente "apresentar versão diferente" ou "contradizer". DESMENTIR é retificar uma MENTIRA com a VERDADE. (Ou será que o senhor ou a senhora jornalista não percebeu o sentido da palavra que usava? Bem, é possível, pois costumam trabalhar sob pressão do tempo.) A questão, aqui, é só uma: O pai de um suspeito de irresponsabilidade é mais confiável que uma testemunha ocular menos envolvida no assunto? Não? Então, de onde é que tiraram que a palavra de um senhor era a verdade e a do outro a mentira? Qual foi o critério? Qual a diferença entre esses dois seres humanos falantes e no valor do que falam? A diferença básica e mais óbvia é o poder econômico (e isso dispensa comentários).

A palavra de um rico vale mais que a de um pobre? É mais considerável, respeitável ou digna de atenção? O argumento de um pobre perde força se contraposto à qualquer fala de um rico? É óbvio que gostaríamos de responder negativamente. Contudo, a realidade nos ensina que há diferença e que é enorme. E isso acontece em todos os lugares, em todos os tempos e templos. Sim, não é diferente nas igrejas. Também nas comunidades eclesiais se verifica o peso da influência econômica no valor dos argumentos. Dinheiro vale mais que reflexão, argumento, ponderação, coisinhas tão sem valor, tão em desuso quanto o estudo da Palavra de Deus.

Uma pena.

Para concluir, uma historinha que se encontra no livro de Eclesiastes:

13Também vi este exemplo de sabedoria debaixo do sol, que me pareceu grande:
14Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens; e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes tranqueiras.
15Ora, achou-se nela um sábio pobre, que livrou a cidade pela sua sabedoria; contudo ninguém se lembrou mais daquele homem pobre.
16Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força; todavia a sabedoria do pobre é desprezada, e as suas palavras não são ouvidas.

E não é verdade?

Abraço,

Cesar

3 comentários:

  1. refletir!!!!Olhar as palavras de Deus é sempre mais difícil do que agir guiado pelo coração, e isso acontece em todos os lugares, cabe a nós encontrar formas de nos fazer ouvir, pois o nosso Deus é maior!!!!

    Abraço,

    Do amigo.

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  2. Amigo,

    Um problema adicional é que no A.T. os profetas enfrentavam qualquer poder em defesa da justiça clamada por Deus. Agora, muitos que deveriam ocupar lugares de profetas se amarram aos poderes e deles dependem. Em vez de profetas, se fazem bundões patéticos.

    Abraço,

    Cesar

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    1. Quando conhecemos as obras do pregador, percebemos o porque do chamado ser da congregação e não do pastor. Como não dizer que todos os homens são falíveis e inclinado ao pecado, por isso o profeta ou pastor hoje não é o profeta, este recebia diretamente de Deus as ordens. Temos que criar coragem e defender o evangelho sempre......

      Abraço,

      Do amigo.

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