segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

César - de Jorge Luis Borges


Fui procurar descanso pra mente em uma área verde de Belo Horizonte. Sim, ainda há dessas coisas por aqui. E haverá, se este prefeito-empresário não destroçar o que resta com sua mente negociante. Pois bem, buscando descanso do estresse e dos tormentos da mente, sentei-me à beira do lago e folheei um livro bonitinho, chamado Atlas (e eu devo ser o primeiro a ousar descrever um livro do Borges como "bonitinho"). Pois bem (de novo), buscando descanso do estresse, dos tormentos e das inquietudes da mente, achei lá o corpo, pois, na página 11, me deparei com a profecia das coisas passadas, a visão do não-visto, pelas palavras do poeta porteño. Decidi transcrever aqui o poema. Está aí abaixo, ocupando o espaço para que eu não o utilize de modo errado (afinal, a mente ainda não descansou completamente, e eu teria baita vontade de usar expressões nada púdicas como "seus bundões!" no texto que eu de mim mesmo, pecador e falível, escreveria). Calo-me, pois.


César


Aquí, lo que dejaraon los puñales
Aquí esa pobre cosa, un hombre muerto
que se llamaba César: Le han abierto
cráteres en la carne los metales.
Aquí la atroz, aquí la detenida
máquina usada ayer para la gloria,
para escribir y ejecutar la historia
y para el goce pleno de la vida.
Aquí también el otro, aquel prudente
emperador que declinó laureles,
que comandó batallas y bajeles
y fue honor y fue envidia de la gente.
Aquí también el otro, el venidero
cuya gran sombra será el orbe entero.


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