domingo, 24 de julho de 2011

Quando uma igreja vira lanchonete

Um café-igreja no centro de Cambridge, Inglaterra

Uma boa aproximação entre religião e culinária, a meu ver, é o tipo de evento do qual vi fotos na igreja de St. Giles, em Cambridge: um piquenique daquela comunidade de fé nos jardins da igreja. Mas nem todos os templos cristãos de Cambridge estão vivos assim. Nem todos abrigam uma comunidade ainda atuante. Alguns se tornaram somente lugares de visitação turística (acho que é o caso de St Peter's Church). Outros abrigam apenas uma reunião semanal de uma comunidade que não possui templo próprio (Como All Saints Church, em que se reúne semanalmente um grupo de presbiterianos). Agora, o que mais me estarreceu foi o caso de St. Michael's Church, que se tornou MichaelHouse. Metade do bonito templo medieval (século XIV) abriga agora um café. Isso mesmo! Não é um café do lado do templo. Isso eu vi lá em uma igreja reformada e em uma batista e parece algo tranquilo. Estou falando de um café dentro do templo, ocupando metade do espaço que era antes ocupado por bancos. O espaço de culto ficou relegado a um cantinho. É uma igreja com um café dentro ou um café com uma capela? Não sei. Sei que a comunidade de fé que se abrigava ali não resistiu tão bem ao tempo. Aquele espaço todo já não é necessário para culto. Essa aproximação entre culinária e igreja me deixou confuso.

Metade café da igreja, em foto tirada clandestinamente pela minha esposa

Tentamos (minha esposa e eu) encontar alguma explicação para acomodar minha mente revoltada. Talvez seja uma forma de ter fundos para preservar a construção... É! Mas o que se está preservando assim? Os templos antigos são bonitos. Mas muito mais bonito é vê-los ainda utilizados em sua função original. Foi uma experiência ótima ver lugares antigos, como a Catedral de Ely (de 1080 d.C.) e a Igreja de São Botolfo (de 1380 d.C.). Mas, mais interessante que ver as pedras envelhecidas pelos séculos, foi saber que durante todos esses anos, o culto cristão não deixou de ser celebrado nesses lugares. Mais interessante foi estar presente quando esses lugares foram cheios com o som de música entoada em louvor ao Eterno, com a voz dos cristãos a confessarem sua fé. Isso sim é preservação. Isso sim é igreja.



MichaelHouse pode ter surgido com boas intenções. Não sei. Este texto estava em tom mais crítico. Agora, o reescrevi e o deixei assim, no meio do caminho. Acontece que se o velho templo fosse se acabar mesmo, talvez tenha sido uma boa saída. Não sei de novo. Quem sabe um dia o espaço para culto seja de novo muito requisitado e o café tenha que se mudar para um cantinho qualquer? Quem sabe o café não servirá só como uma maneira de preservar a igreja para que ela retome suas forças em breve? Não sei mais uma vez. E termino o texto não sabendo.

Um abraço,
Cesar
P.S. Já de volta ao Brasil.

Um comentário:

  1. A realidade na Europa descreve em tons do comodismo de deixar as coisas como estão. Já vejo esta realidade aqui no Brasil, bem como aqui em BH, a igreja de Cristo necessita de pessoas compromissadas. Quando olho a situação de mais de noventa irmãos afastados da comunidade isso me inquieta. Ainda mais, que estas pessoas demonstram suas magoas. Dessa forma a realidade da Europa já se faz presente aqui. Também não sei, pois não posso fazer nada. Um abraço do irmão em Cristo.

    ResponderExcluir