sábado, 14 de maio de 2011

A pizza de bacalhau e o diálogo entre cristãos de diferentes tradições


A situação é a seguinte: Quatro pessoas com gostos diferentes e a missão de compartilhar uma só pizza, com um só sabor. Um não come carne de boi, porco ou frango, bem como seus derivados. Outro gosta muito de proteína animal. O queijo não lhe basta. Outro come praticamente de tudo, mas está interessado em algum sabor diferente do habitual, será o encarregado de preparar cobertura e quer experimentar. O último também come praticamente de tudo, mas valoriza incrementos diferenciados.

O que fazer? Pensei, pensei, pensei e resolvi: Pizza de bacalhau. Não vai contra o gosto ou a restrição de ninguém e, para todos, seria novidade. Todos ficariam satisfeitos! A receita eu apresento no final da postagem. Agora, ofereço uma reflexão que me ocorreu enquanto não havia chegado à solução do bacalhau.

Observei que algo semelhante acontece quando cristãos de diferentes tradições se encontram. Há duas opções fundamentais: a ênfase nas divergências ou a valorização da convergência. Muitas vezes, só as diferenças são trazidas à mesa. Então, o atrito é certo. Um adepto do batismo de adultos tenta convencer os que batizam crianças. Os carismáticos querem converter os mais tradicionais. Estes últimos procuram desconstruir as crenças dos neopentecostais. Bem, não digo que sempre seja ruim confrontar opiniões e expor pensamentos diferentes. Mas há tempo e ocasião para isso. O problema a que me refiro é o fato de que, frequentemente, se perdem ocasiões de alegrarmo-nos com aquilo que nos é comum: a fé em Cristo como o nosso salvador. Isso acontece inclusive em encontros de famílias. Muitos já se achegam armados com argumentos engatilhados. Se alguém menciona o tema da disputa recorrente, dispara o sacro projétil vocabular, acreditando que o tiro será fatal. Mas não é. E logo vem o revide. As horas passam e ninguém percebe que a alegria da salvação ficou esquecida entre os escombros de uma batalha sem vencedor.

Acredito no diálogo respeitoso (não em um ecumenismo fingido). Entendo que as pessoas podem ser conscientes de suas diferenças e, ao mesmo tempo, felizes por sua convergência. Havendo ocasião (e por "ocasião" entendo a real oportunidade de um diálogo no qual cada um não procura vencer o outro, mas investigar os acertos e fragilidades de cada argumento com vistas ao crescimento mútuo), as questões mais polêmicas podem ser abordadas, mas não devem ocupar o lugar do que é mais importante: o amor, a comunhão, a fé e a esperança em Cristo.

A pizza de bacalhau a que me referi existiu realmente, na última sexta-feira. As quatro pessoas envolvidas éramos meus pais, minha esposa e eu. Minha mãe se ocuparia da massa, já tradicional na família, e eu cuidaria da cobertura. O resultado foi satisfatório: saudável e saboroso. Todos gostaram muito mesmo, pois o igrediente principal foi escolhido conforme um gosto convergente, não por imposição a partir de uma ou outra divergência! Portanto, me animei a apresentar a receita:

Pizza de Bacalhau (à moda do Saboroso Saber)

Ingredientes:

Massa

Dois copos e meio de farinha de trigo.
Um copo de leite morno.
Duas colheres de sopa (rasas) de fermento químico.
Uma pitada de açúcar.
Seis colheres de azeite de oliva extra-virgem.

Cobertura

Molho de tomate (Molho simples, só tomates mesmo. A única diferença é que usei o fundo da frigideira em que grelhei o bacalhau.)
300 gramas de muçarela ralada.
Um lombo pequeno de bacalhau (300 gramas mais ou menos), dessalgado, levemente grelhado em frigideira anti-aderente com azeite.
Uma cebola média cortada em pétalas.
Dezesseis azeitonas (azapa) inteiras.
Salsinha a gosto.
Azeite de oliva extra-virgem.
Cinco dentes de alho espremidos.
Um ovo cozido.
Um tomate pequeno em fatias finas.

Preparo:

Misturar todos os ingredientes da massa com as mãos até chegar a uma mistura homogênea. Cobri-la com um pano limpo e deixar descansar por 15 minutos. Depois, abri-la em forma circular, deixando-a bem fina (eu costumo usar um rolo, mas minha mãe consegue fazer isso com as mãos).

Acrescentar o molho espalhando-o bem. Logo, espalhe quase toda a muçarela (reserve um bocadinho). Por cima, espalhe a seguinte mistura que deve ser providenciada previamente: o bacalhau em lascas (não desfiado), as azeitonas, um fio generoso de azeite, a salsinha, a cebola e os alhos espremidos. Em seguida, disponha rodelas do ovo cozido e do tomate. Por último, despeje aleatoriamente o restinho de muçarela ralada.



Pronto! Só falta assar por uns 20 minutos em forno médio pré-aquecido.

Um abraço,

C.

P.S.: Não abandonei o "Pai Nosso". Logo, voltarei a postar textos relacionados com a oração.

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